Sherlock no Netflix: adaptação moderna com diálogos rápidos e inteligentes

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Eu tinha meus 13 anos quando li a coleção inteira, quase completa, das histórias do detetive Sherlock Holmes, narradas por Sir Arthur Conan Doyle. Eram livros do meu avô Aldo Luporini e eu aproveitava as férias para devorar os volumes, noite após noite, começando a leitura de tardezinha até de madrugada. No início desse ano, tive a oportunidade de visitar Londres, e não poderia deixar de ir à Av. Baker Street, 221-B. Fiquei simplesmente alucinado!

Benedict Cumberbatch interpreta Sherlock Holmes (Fotos: Reprodução)

Por isso, quando comecei a assistir à série Sherlock produzida para a TV inglesa e disponibilizada no serviço de streaming Netflix, tive receios. Era moderna demais e eu temia pelas distorções, que naturalmente ocorrem em adaptações para a televisão. Minha expectativa era ver cenas de época, contextos históricos e nada disso estava no enredo. Ao contrário, mensagens de texto, celulares, GPS. Todas tecnologias à serviço das investigações de Sherlock e doutor Watson.

Mas, para minha surpresa, a série me prendeu. Porque algo muito importante foi mantido: a capacidade de raciocínio lógico, de deduções e pressuposições, características do personagem. Justamente elas que ajudaram a moldar o meu caráter mais de 15 anos atrás, algumas das quais eu as uso até hoje. Portanto, independe o cenário e o contexto. Mantido o fundamento, a narrativa pouco importa.

Benedict Cumberbatch (Sherlock Holmes) e Martin Freeman (Doutor John Watson)

A criação de Steven Moffat e Mark Gatiss difere muito dos livros. Mas, apresenta personagens e casos baseados na narrativa de Conan Doyle. São quatro temporadas (a última disponibilizada pelo Netflix em março de 2017 e terminada por mim dias atrás), cada qual com três episódios, exceto a terceira, com quatro, totalizando 13 episódios diferentes, embora conectados. Nos papéis principais os atores Benedict Cumberbatch (Sherlock Holmes) e Martin Freeman (Doutor John Watson).

É uma série surpreendente, apesar de haver referências nos episódios que ficam sem qualquer explicação. É mais ficção, embora use a lógica, porque há elementos completamente inexplicáveis hoje ou em qualquer outra época. Mesmo assim, é preciso abrir a cabeça para absorver os diálogos rápidos e inteligentes. E, depois dos episódios de uma hora e meia, se controlar para não sair por aí querendo desvendar tudo.

À direita está Mark Gatiss, criador e ator da série, que interpreta o irmão de Sherlock, Mycroft Holmes

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