Pobreza, limitações e restrições: os cubanos sobrevivem às dificuldades

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Quando eu disse que ia para Cuba, a primeira coisa que me disseram foi: “você vai lá para ver pobreza?”. Eu respondi que já (convi)via (com) a pobreza diariamente, na minha própria cidade. E que já a tinha visto de várias formas em países latino-americanos e europeus, como Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Espanha, Itália, Portugal e Inglaterra. E tenho certeza que a pobreza existe em muitos outros.

Universidade de Havana: a educação em Cuba é gratuita até o ensino superior (Fotos: Fábio Luporini)

Depois de dez dias em Cuba, posso afirmar que o povo é muito mais rico do que nós imaginamos. Ou melhor, do modo como usamos nossos conceitos e referências para medir a pobreza. Faltam-lhes dinheiro? Sem dúvida. Mas, sobram-lhes sorrisos, solidariedade e otimismo, sem contar na saúde e na educação. Afinal, o que é mesmo ser pobre?

Em Cuba, vi muitas pequenas casas cheias de pessoas da mesma família. Mas, todos unidos senão pelo espaço apertado, por laços familiares sólidos. Vi jovens que pouco ou nada tinham acesso à internet. Afinal, o acesso é restrito: você paga um cartão de uma hora e pode conectar-se em poucos espaços públicos ou turísticos. Ao contrário, vi jovens nas ruas: jogando cartas com os amigos, cantando e tocando violão, além de namorarem e passearem. Isso é pobreza?

Os cubanos são bem resolvidos com o regime socialista. Aprenderam a (sobre)viver com as limitações e restrições, embora seja possível encontrar quem seja contra e quem seja a favor. É bastante comum ver gente vestindo camisetas e roupas com a bandeira dos Estados Unidos. Talvez moda ou um protesto silencioso. O grande problema de Cuba é o embargo econômico e as consequências que isso traz. Veem-se nas ruas prédios lindos, mas mal cuidados. Carros lindos e em pleno funcionamento, mas velhos.

Os cubanos sobrevivem como podem: transformaram carros antigos em táxis, por exemplo

Sobretudo, vê-se nos rostos um sorriso e uma alegria contagiantes. Há, sim, alguns mal-humorados. Mas, aos cubanos que pedi informações: desde policiais até seguranças, incluindo as senhorinhas, todos me foram solícitos e agradáveis. Em uma barraquinha numa feirinha em Vedado, bastou encontrar-me duas vezes com dois vendedores que me tornei amigo deles. Ou então com a garçonete de um restaurante no hotel em Varadero, da qual encontrei e conversei por alguns dias.

Os cubanos têm seus anseios, dificuldades e limitações. Lamentam-se por isso. Mas, sabem ser felizes com o pouco que tem. A próxima reportagem vai mostrar outros detalhes do povo caribenho.

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