Pequenas impressões do seo Nelson, um homem sorridente e muito amado

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O seo Nelson tinha um sorriso de ponta a ponta. Tão bonito e tão marcante que me vem à memória toda vez que me lembro dele, embora poucas vezes tenhamos nos encontrado. A última vez foi na casa dele, na mesa do café, um pouco depois das 17h. Fui levar um bolo de pão de mel que minha mãe fez com muito carinho à Jaque, professora fofa e respeitosamente admirável.

Seo Nelson nos recebia assim, com muita acolhida, em sua casa (Fotos: Arquivo Pessoal)

Seo Nelson fez questão de sentar à mesa comigo, apesar dele próprio já ter tomado café. No pouco tempo que convivemos ali, em volta da mesa, comi pão com manteiga aviação enquanto me fazia perguntas da vida. Ele queria saber como eu estava e me fez comer o arroz doce da Madalena. Foram poucos, mas saborosamente memoráveis instantes. O suficiente para permanecer um no coração do outro.

Tanto que, pouco mais de uma semana atrás, Jaque me manda uma mensagem com a foto dos pais: ela e eles foram tomar café por aí. Um costume cotidiano. Mandei abraço. Retribuíram. E ficou o gostinho de: “preciso passar lá na sua casa depois das 17h para tomar o café com o seo Nelson”. Era o horário de todas as tardes.

Acompanhamos, ao longo dos últimos anos, a luta pela vida. Seo Nelson teve problemas cardíacos pouco mais de três anos atrás e vimos – eu e muitos professores e alunos, amigos da Jaque – não apenas a batalha dele por viver, mas todo o carinho e amor de filha, dedicados ao pai. Comemoramos as melhoras e vimos ano a ano as festas na data da nova vida. É importante celebrar.

Celebrar as melhoras, as vitórias e a vida

Seo Nelson era “teimoso”: fazia os serviços de casa, subia nas escadas pelo quintal, plantava e cuidava do manacá. Plantava mais que plantas: plantava amor e carinho por onde andava. “Teimava” em trazer a bala dadinho para a filha, não mais criança, mas sempre muito amada. Por isso, entristece muito receber a notícia de que, abruptamente, ele deixa o convívio do nosso mundo terreno. Nossa fé cristã nos ajuda a superar essa dor, que a Jaque e a família dela não sentem sozinhas.

Seo Nelson o o manacá plantado no quintal

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