O que filosofia e cerveja têm em comum?

0

Filosofia e cerveja têm muito mais em comum do que se possa imaginar, do que se pareça. As histórias de uma e outra se cruzam e se completam. Não apenas na própria História, mas na mesa de um bar, numa reunião entre amigos, num churrasco qualquer. Afinal, quem nunca soltou alguma filosofia de botequim? Ou quem nunca se achou filósofo depois de apreciar uma boa cerveja?

Cerveja é uma bebida mais antiga que a filosofia (Foto: Divulgação)

Muito mais antiga que a filosofia, a cerveja foi difundida ainda mais quando o Império Romano caiu em suas graças: Júlio César apreciava a cerveja. O mesmo império que se apropriou da filosofia grega, fundamento do pensamento ocidental. A expansão da bebida, que chegou até à Britânia, é semelhante à popularidade da cerveja hoje, considerada uma das mais democráticas e ícone socialmente agregador.

Não tem erro: boa cerveja e boa conversa fazem bem à alma. Um dos mais importantes filósofos da antiguidade clássica, Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.), sabia bem da importância de moderar os prazeres da vida. “A moderação é o meio termo no tocante aos prazeres”, diz no livro Ética a Nicômaco. Se moderadamente apreciada, a cerveja nos leva a reflexões profundas sobre a vida, porque nos abre a alma para o encontro com o outro, permitindo, dessa forma, fluir a filosofia.

Até porque filosofia é mais que estudar num banco de sala de aula, princípio de toda reflexão. É refletir discutindo e conversando. Fazia muito bem assim Sócrates, que caminhava com os jovens pelos mercados e praças públicas, levando-os a pensar sobre si mesmos e sobre os outros. Faziam assim os filósofos antigos, socraticamente contemporâneos, relatados todos por Platão, em diversos banquetes, onde rolava solta a bebida alcoólica. Prioritariamente o vinho, claro, embora não seja difícil supor que houvesse cerveja.

Porque uma bebida alcoólica apreciada com moderação, abre o espírito e a alma não apenas para o convívio com as pessoas, mas, sobretudo, para o diálogo e a compreensão. Ao contrário, gente bêbada fica intolerante. E fica feio. Por isso, essa coluna vai passear por algumas das principais reflexões filosóficas de hoje em dia, enquanto você aprecia a boa cerveja oferecida pelo Clube do Malte. E, assim, vai incrementando a experiência gastronômica com a filosófica.

Texto originalmente publicado na edição de dezembro da revista Cerveja de todos os jeitos, do Clube do Malte, marca curitibana especializada no comércio de cervejas especiais e que vende mais de 1 mil rótulos para todo o Brasil.

Deixe uma resposta