O primeiro dia de um turista em Cuba reserva contratempos e novidades

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Minha recepção em Cuba foi nada diferente do que no resto do mundo. Parece que meu rosto inspira qualquer desconfiança. E, claro, fui abordado por funcionários da imigração antes mesmo de passar pelo controle de passaporte. Tal qual na Itália, na Jordânia, em Israel, na Bolívia. Ali, verificando documentos, uma funcionária me perguntou que profissão eu tinha, que quantidade de dinheiro eu levava e o que eu faria em Cuba. Satisfeita com as respostas, me deixou passar.

Em Cuba, os carros antigos dividem espaço com modelos mais novos (Fotos: Fábio Luporini)

Havana e Varadero foram os destinos que escolhi passar dez dias nessas férias de janeiro. Fugi para longe da internet, para descansar e para iniciar alguns outros projetos pessoais. Enfim, com o carimbo da República de Cuba no passaporte, pude finalmente matar a ansiedade: Cuba é mesmo como dizem? Antes, porém, um inconveniente me tirou o foco. Ao desembarcar, não conseguia encontrar o pessoal da agência operadora que faria o transfer até o hotel.

Sem telefone, sem internet e sem bateria, o que fazer? A gente que costuma viajar sozinho já desenvolveu técnicas de sobrevivência! Fui perguntando para cada funcionário de cada agência que estava ali esperando passageiros se meu nome não estava na lista. E nada. Até que um deles me orientou procurar uma das agências, ali fora do aeroporto. Tarefa simples, não fosse o grande número delas. Escolhi uma e entrei, para começar. Surpresa! A funcionária olhou para minha cara e disse meu nome. Como ela sabia? Não faço ideia.

Prédios e carros antigos são características de Havana, capital de Cuba, e de todo o país

Com tudo resolvido, era hora de ir para o hotel. E fui acompanhado da guia Ideleinys, que além do espanhol, do italiano e do russo, aprendera português. Fã da novela O rei do gado, do ator Antonio Fagundes e da atriz Glória Pires, a guia indicou lugares para visitar em Havana e revelou: água é tratada, mas não arrisque tomar da torneira; internet livre não existe, apenas em pontos públicos (praças e hotéis), por 2 CUC (moeda usada por turistas) a hora.

E, um retrato da realidade. O presidente Raul Castro promoveu, mesmo que a passos lentos, algumas mudanças no regime do irmão, Fidel Castro, como liberdade para cubanos viajarem para o exterior, desde que obedeçam alguns requisitos, além de possibilidades de se ter a propriedade privada, em alguns casos de comércios autorizados pelo regime (restaurantes, barbearias, entre outros). Um detalhe: Fidel não é unanimidade. Uns o amam e o veneram, enquanto outros o odeiam sinceramente. Como no resto do mundo, talvez.

Os carros antigos circulam pela cidade, mas Cuba não parou no tempo

Os carros antigos circulam belamente pelas ruas, mas, diferentemente do que se pensa, Cuba não parou no tempo. Ao contrário, é moderna. Do jeito que pode, mas é. Os jovens que circulam na rua confundem-se com turistas porque se vestem com roupas e cabelos da moda. Um povo que aprendeu a sobreviver nas limitações das privações, sabe viver melhor que uma sociedade que tem de tudo e, ao mesmo tempo, não tem nada.

Nos próximos dias vamos conhecer algumas das particularidades desse país tão contraditório e, ao mesmo tempo, tão fascinante. Acompanhe as próximas matérias, todas fundamentadas em observações, experiências e conversas com cidadãos comuns e funcionários do governo cubano.

A vida normal em Cuba é assim: carros e pessoas circulando pelas ruas, tocando a vida como podem

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