O dia em que peguei carona com Jesus

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Colaboração: Jair Queiroz Segundo, estudante de jornalismo

Ele dirigia um carro popular preto. Jesus começou a corrida e logo puxou assunto. Contou que começou a trabalhar como Uber havia três meses, para completar a renda de comerciante. “É a crise né, a gente tem que se virar.” Do clima seco à situação política do Brasil, falamos de tudo, incluindo música e artes marciais.

Jesus é Uber, e muito honesto (Foto: Divulgação)

Paramos num semáforo e a van que parou ao nosso lado levava uma piscina de acrílico amarrada no teto. Antes mesmo da segunda bolinha do farol vermelho descer, Jesus abaixou o vidro e falou: “Tem água nessa piscina aí? Tá calor né…”. O motorista da van apenas sorriu e acenou de forma a encerrar o assunto.

Um pouco mais para adiante, em outro semáforo, um menino veio pedir esmola. Jesus pegou uma nota de R$ 2 e entregou pela janela do carro. E, tudo isso, intercalando com a conversa comigo, até a corrida terminar.

Depois de mais de uma hora que eu já estava em casa, percebi que me faltava uma nota de R$ 50. No mesmo instante me lembrei que havia caído no banco do carro do Uber. Entrei no aplicativo e tentei mandar mensagem para Jesus, mas não consegui, por já ter finalizado a corrida há um tempo. Pensei que não ia ter mais jeito.

Quando desci para ir ao mercado, o porteiro do prédio me chamou à portaria. E lá vinha ele com R$ 50 em mãos, dizendo que, logo que subi, o Uber voltou e deixou na portaria para me entregar. Assim que tomei o dinheiro em minhas mãos pensei: “É a crise né, esse dinheiro ia fazer falta”. E, assim, Jesus não apenas me deu uma lição de moral e ética, mas também salvou meu dia.

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