Publicitária larga tudo em São Paulo para viver feliz em Fernando de Noronha

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Bárbara, na lha de Fernando de Noronha (Foto: Danilo Junior/Divulgação)

O ser humano vive em eterna mutação. As mudanças acontecem de fora para dentro, mas, principalmente, de dentro para fora. Em cada fase da vida algumas experiências são fundamentais. Não adianta pular nem acelerar nada, tudo tem seu tempo e se acontece fora de hora, não faz sentido. A partir dessa ideia, resolvi aceitar as minhas limitações como ser humano e entender que nem todo mundo nasceu para viver no mundo corporativo.

Estava em São Paulo havia sete anos. Quando saí de Londrina, onde morava, fui em busca de crescimento profissional e pessoal. Havia estabelecido metas com tempos determinados. Trabalhei, trabalhei muito. Fui subindo gradativamente de cargo conforme planejado e almejado.

De repente, comecei a ver que aquilo não me brilhava mais aos olhos. Nem os bens materiais, nem o salário e o bom cargo na empresa multinacional, nem as maravilhosas viagens de férias que fazia todo ano eram suficientes para me motivar no dia a dia. Foi quando, finalmente, na volta das últimas férias em Fernando de Noronha (PE), seguida de Alter do Chão, em Santarém (PA), vi que a capital de São Paulo já não era mais o meu lar.

Mergulho com tartaruga (Foto: Danilo Júnior/Divulgação)

Bagagens
Oito meses depois estava eu arrumando minha bagagem com destino ao paraíso. Virada de 180 graus, tudo novo, porém, com muito menos. Ouvi que era doida, que era ingrata, que era adolescente vivendo o intercâmbio tardio, mas nada disso mudou em segundo algum o meu objetivo. Só conseguia pensar no quanto tinha me sentido livre e feliz nos dez dias que passei nessa ilha mágica, sendo tão bem acolhida por gente que nunca havia visto na vida e me reencontrado dentro de mim mesma.

Troquei a maior cidade do Brasil pela ilha com uma única rodovia de 7 km de extensão; troquei um apartamento por um quarto compartilhado; troquei carro por bike e busão capenga, mas que pelo menos é grátis para morador; troquei status, dinheiro e uma possível carreira promissora por saúde, paz e muito amor. Se me arrependo? Nem perto disso.

Trilha Capim Açu: rapel para chegar na Caverna do Capim Açu (Foto Lucas Costa/Divulgação)

Quase nunca vejo televisão, a internet aqui é ruim pra dedéu (me falaram para não reclamar, já foi muito pior), tomo banho em chuveiro frio, estou longe de muitos amigos e da família, mas não me sinto nem um minuto só. Sinto-me em evolução e, principalmente, muito mais útil do que antes.

Experiências
Tenho tido experiências maravilhosas com cada pessoa que conheço aqui, seja morador ou turista. É uma delícia compartilhar e ouvir tantas histórias diferentes. Falo sempre que mesmo sendo algo tão rápido, a troca ficará para sempre marcada na memória de cada um. Vejo-me ouvinte, conselheira e braço amigo de gente que passo, em média, trinta minutos no meu convívio. A vida pode ser muito boa, basta mudar o ponto de vista.

Não sei quanto tempo vou ficar, não é um ponto importante no momento. Tenho plena convicção de que fiz o que tinha que ser feito e que agarrei a oportunidade que tive na hora certa. Se tivesse sido antes, não seria tão bom. Poder praticar esportes no mar, rodeada pela Mata Atlântica, é privilégio demais. Cada por do sol, cada vida marinha que conheço, é bom demais. Por isso eu digo que “por Noronha, só Gratidão”.

Colaboração: Barbara Polezer, jornalista

Vida Marinha riquíssima! (Foto: Danilo Júnior/Divulgação)
Vista do Piquinho, por do sol com os Dois Irmãos (Foto: Barbara Polezer/Arquivo Pessoal)
Por do sol na praia da Conceição, a mais frequentado pelos moradores de Noronha. (Foto: Bárbara Polezer/Arquivo Pessoal)

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