Cuba: um socialismo que precisa e depende do dinheiro par viver

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A diferença entre o capitalismo e o socialismo é a propriedade dos meios de produção: no primeiro, é privada, enquanto que no segundo, é pública. Em Cuba, tudo é do governo: escolas, hotéis, lojas, incluindo a de marcas famosas como Adidas e Benetton. Ou quase tudo: o presidente Raul Castro, sucessor do irmão, Fidel (líder da Revolução Cubana de 1959), promoveu algumas mudanças e hoje já é possível que algumas pessoas tenham alguma propriedade privada, tipo uma barbearia ou um restaurante.

Loja da Adidas no centro de Havana (Foto: Fábio Luporini)

Entretanto, os cubanos estão a todo o momento precisando e, de uma forma ou de outra, pedindo dinheiro. Pouco se veem cubanos pedintes. Porém, há outras formas de se “pedir” dinheiro. Talvez pela dificuldade em que vivam, num contexto cheio de restrições e limitações. Na maioria das vezes, o argumento é de que há uma família para ser sustentada, que passa dificuldades.

Não se surpreenda: um cubano sempre vai abordá-lo, seja para oferecer ajuda, indicar um restaurante, vender um cigarrinho ou charuto. Tudo informalmente e, às vezes, beirando a ilegalidade. Gorjetas de toda feita e, pasmem!, até mesmo usando a sexualidade. Não é incomum ver jovens (moças e rapazes), que abordam turistas (começando com uma conversa despretensiosa) e “convidando-os” para uma conversa privada num quartinho de um amigo, numa quadra do lado.

A incoerência do sistema cubano é a de que , na prática, as famílias não têm o suficiente para seu próprio sustento. Os salários são baixos. As razões podem ser diversas. Cuba sofre com embargos econômicos que lhe prejudicam. Pode haver também qualquer tipo de corrupção ou desvios. Entretanto, o certo é que, mesmo entre os silenciosos opositores de Fidel Castro, uma coisa é unanimidade: a valorização da educação e saúde gratuitas. Afinal, é o mínimo que se espera para uma vida digna.

Na próxima matéria, outros aspectos da incoerente e fascinante Cuba.

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