As (vini) surpresas do Barraco da Sopa

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Não é segredo para ninguém que o Barraco da Sopa (Travessa Belo Horizonte, 67. Fone 3324-2121) é dos meus lugares preferidos para tomar vinho. Não apenas porque há por ali uma grande variedade de rótulos ao mesmo tempo em que se encontram tipos normalmente diferentes. O preço, em muitos casos, costuma ser justo. Mas, sobretudo, porque me agradam o ambiente, as pessoas que trabalham no local (a Cícera e o seu Paulo, de modo particular) e a comidinha bem feita (o risoto que peço de gorgonzola com costelinha defumada é delicioso).

Um brinde no Barraco da Sopa (Foto: Reprodução/Instagram)

Ali, quase que semanalmente, tomei dos melhores vinhos da minha vida. É certo que, por vezes, abrimos alguns já além do ponto, com leve paladar avinagrado, resultado do armazenamento não tão adequado. Entretanto, boas e muito gratas surpresas me apareceram pelo caminho. Uma delas é o vinho Doña Paula Los Cardos, que eu já havia experimentado em outros lugares e ocasiões. Todavia, os três ou quatro exemplares do rótulo que degustei em três ou quatro dias diferentes, estavam muito bem apurados pelo tempo. Eram de 2009.

Los Cardos é um rótulo da Doña Paula, vinícola relativamente jovem, surgida a partir dos anos 1990, localizada no município de Luján de Cuyo, dentro da província de Mendoza, tradicional região produtora de vinhos. Foram diferentes as companhias e, numa das vezes, levei o vinho para apreciar em casa. Sim, porque apesar de os especialistas recomendarem veementemente que se aprecie um bom vinho com uma boa companhia, eu vez em quando tomo sozinho mesmo, até porque minha companhia me agrada. E conviver bem consigo mesmo é uma arte muito sábia.

Vinho Alma Negra (Foto: Divulgação)

Numa dessas ocasiões, entretanto, o pessoal do Barraco da Sopa ofereceu-me o vinho Camino Real, uma reserva especial da uva cabernet sauvignon, do ano 2004. Não sei bem o que houve, se a rolha caiu no vinho ao ser aberto, inviabilizando, por isso, servir aos clientes. Encorpado, mas não forte, preenche a boca com todos os melhores atributos que se pode ter. Um dos melhores que já experimentei. Infelizmente, não o encontrei mais.

Mas, é preciso registrar que um dos rótulos mais sensacionais que provei foi ali no Barraco da Sopa. Três vezes, em diferentes ocasiões: Alma Negra, da vinícola Tikal, de Ernesto Catena. Um vinho com um aromático bouquet e delicioso, macio e aveludado paladar. Já provei das uvas malbec, syrah e um blend. Disseram-me que não é o melhor vinho do mundo, mas não meu modesto e humilde paladar, é.

Artigo originalmente publicado no Jornal de Londrina (JL), em 2015, adaptado para o Portal Duo.

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