Arquiteta londrinense em Milão visita estreia de exposição sobre Veio e Niemeyer

0

Um diálogo entre dois artistas brasileiros é o destaque da Etel, marca brasileira de móveis de luxo que abriu as portas na capital mundial do design, Milão, em novembro do ano passado. Em exposição, Cícero Alves dos Santos, escultor sergipano mais conhecido como Veio, e o eterno arquiteto modernista Oscar Niemeyer, na mostra Tra arte e design – Un dialogo tra le opere di Veio e Oscar Niemeyer (Entre a arte e design – Um diálogo entre as obras de Veio e Oscar Niemeyer).

Chaise Longue Rio desenhada em 1978 por Oscar Niemeyer (Fotos: Divulgação)

A exposição faz parte do objetivo da Etel de promover e difundir a cultura brasileira no mundo, mostrando o melhor do design tupiniquim. E é ousada ao comparar as esculturas de Veio com as características curvas de Niemeyer. “Com Veio e Niemeyer, queríamos mostrar o trabalho de dois gênios criativos que possuem uma abordagem muito diferente entre si, unidos por um vínculo especial com a Itália”, afirma a curadora da mostra e CEO da Etel, Lissa Carmona, no folder da exposição.

Uma das esculturas de Veio, em exposição

Arquiteta londrinense morando na Itália e um das profissionais da Triangolo Studio, Maiara Faria visitou a exposição, na aberta da mostra na última quinta-feira (6). “Veio não teve o mesmo acesso à educação que Niemeyer. Ele produz arte em formato de pura escultura, contando a história popular por meio de figuras orgânicas e um tanto enigmáticas. Niemeyer, dotado de um conhecimento elevado e enriquecido ao longo da sua vida, produz seu mobiliário também de forma escultórica, porém com tratamento formal, linearidade pura e elegante”, ressalta Maiara.

Outra das esculturas de Veio em exposição em Milão

Mas, para ela, há um ponto em comum entre os dois artistas, de realidades tão distintas e de gerações diversas (Veio nasceu em 1948 e ainda está vivo). “O que se conclui ao ver ambas as obras, lado a lado na requintada loja da ETEL em Milão, é que, independentemente da carga educacional envolvida no passado dos artistas, ambos utilizam das curvas simples, puras, totalmente cheias de representatividade brasileira, valorizando ainda mais a cultura do nosso país e dando um passo à frente no mercado internacional do design”, conta a arquiteta.

Entre os convidados da noite, estavam Vilma Eid, da Galeria Estação (SP), que apresentou Veio para Etel, além de Stefano Rabolli Pansera, arquiteto e curador, quem trouxe Veio para a Itália, e Júlio Laranjeiras, cônsul do Brasil na Itália.

A Poltrona Alta, criada por Oscar Niemeyer e sua filha Anna Maria em 1970, é produzida hoje pela Etel

Dois artistas, muitas curvas

Escultura de Veio utiliza madeiras a troncos das matas de Sergipe
Banco Marquesa desenhado por Oscar Niemeyer

De acordo com Maiara Faria, Veio é um escultor sergipano que sempre se interessou pelo folclore nordestino e pela vida dos sertanejos, utilizando-se de madeiras encontradas nas matas de Sergipe, como ramos e troncos, para dar vida às peças. Nelas, conta histórias de seu próprio povo, intensificando a importância da arte popular com cores fortes e curvas totalmente naturais, assemelhando-se às silhuetas primitivas de homens e animais.

Já Niemeyer, engenheiro e arquiteto carioca, criou em 1971 sua primeira peça de design, a poltrona Oscar Niemeyer. O arquiteto é conhecido mundialmente por suas curvas cheias de brasilidade, que transmitem leveza e, ao mesmo tempo, desafiam a estruturalidade da arquitetura e engenharia. Pode-se dizer, sem sombra de dúvidas, que é o grande mestre do modernismo brasileiro.

Deixe uma resposta