App usa viagens particulares para entregar encomendas entre cidades

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Marlon Pascoal foi fazer um mochilão pela América do Sul, em 2015, e teve problemas na hora de sair do país, de Corumbá (MS) até Santa Cruz de la Sierra (Bolívia). Era a primeira viagem internacional e ele tinha apenas a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), mas precisava do documento de identidade, que estava em Londrina. Para fazer o documento chegar ao destino a tempo do embarque no trem, o rapaz tentou de todos os jeitos: correios, transportadora, ônibus de linha, entre outros, até que, com muito custo, conseguiu fazê-lo chegar numa van que já faria o trajeto.

A necessidade de Marlon aliada à criatividade do sócio e amigo João Paulo Albuquerque fez nascer, dois anos depois, a plataforma Cabenocarro, um sistema de frete ou entregas por aplicativo de celular, diferente de tudo o que existe no mercado. “Fiquei com aquela viagem na cabeça. Até que o João veio conversar comigo no fim do ano passado. Virou o ano e começamos a trabalhar e entrou no ar em agosto”, conta Marlon.

Os amigos João e Marlon criaram um app de entrega de encomendas por viagens particulares (Foto: Divulgação)

Funciona assim: as pessoas se cadastram no aplicativo para “darem carona” a objetos que precisam ser transportados de uma cidade à outra. “Se você precisa fazer uma entrega, mandar um pacote, desde um molho de chaves ou até alguma coisa que comprou, normalmente todo mundo usa o correio. Mas, será que não tem alguém indo daquela cidade para a outra e pode levar em troca de uma recompensa? Tipo uma ajuda para pagar o pedágio, um valor simbólico?”, questiona.

O aplicativo Cabenocarro desenvolveu uma fórmula que calcula o tamanho da encomenda (que podem ser quatro: porta-luvas, banco da frente, banco de trás e porta malas) com a distância a ser percorrida (Londrina-São Paulo, Londrina-Maringá, Londrina-Curitiba, etc). “A taxa mínima para Maringá, por exemplo, de um objeto que cabe no porta-luvas é de R$ 10. Para Curitiba, o mesmo tamanho é R$ 20”, exemplifica.

De agosto a dezembro de 2017 já são mais de 1,5 mil usuários cadastrados. “Outro dia uma pessoa ia mandar de uber um convite de formatura de Londrina para Maringá, mas mandou pelo Cabenocarro e pagou bem mais barato”, conta Marlon. O aplicativo oferece uma cobertura de até R$ 2 mil, caso aconteça alguma coisa com a encomenda, e verifica todos os dados, incluindo a CNH do motorista cadastrado para o transporte, para garantir a segurança do processo.

Hoje são oito pessoas trabalhando: três programadores, dois designers, um estagiário de vendas e os dois sócios. Mas, o carro chefe do negócio será o sistema de entrega sustentável, já no ar, destinado a frete de empresas e-commerce. “Quando a pessoa compra, aparecem várias opções de frete. E uma delas será a entrega sustentável. O e-commerce vai mandar através do viajante do Cabenocarro”, explica.

Experiência

O engenheiro eletricista Ítalo Leonardo de Alencar Marton, precisou utilizar o aplicativo Cabenocarro e não se arrependeu. Morando em Maringá, ele foi fazer a revisão da moto para participar de um evento em Paranavaí. Era uma quarta-feira, véspera de feriado, quando descobriu que precisava de uma peça que não tinha pronta entrega. A peça estava em falta em Maringá, em Londrina e só foi ser achada em Curitiba. Mas, pelo tempo curto, ela provavelmente não chegaria a tempo de Ítalo arrumar a moto e ir para o evento em Paranavaí, no sábado.

“Quinta era feriado e, mesmo que mandassem a peça pelo correio, não chegaria a tempo para consertar a moto e ir pro evento. Aí cadastrei no Cabenocarro na quarta, às 14h. às 16h30 apareceu um cara que vinha de Curitiba pra Londrina, às 17h30 ele pegou a peça na concessionária e quarta à noite estava em Londrina. Aí na quinta cadastrei de novo, para vir de Londrina para Maringá e a peça chegou na quinta mesmo. Na sexta levei pra oficina, que consertou e pude ir pro evento sábado”, relata.

Se tivesse usado os serviços convencionais de entrega, jamais a peça teria chegado ao destino com tempo hábil. “Além do serviço ter sido rápido e prático, foi um custo muito baixo. Agora é um serviço que uso bastante e que recomendo aos meus amigos.”

Ítalo, de Maringá, precisou usar o aplicativo e ficou satisfeito (Foto: Arquivo Pessoal)

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