Aos 85 anos, em plena atividade: Walkyria Ferraz é ícone cultural

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Cinco anos atrás eu descia nove degraus, até chegar ao local onde Walkyria Ferraz dá aulas de canto, na casa dela em Londrina. Na época, encontrei uma simpática senhora de 80 anos, a maior parte deles dedicados à música. Era uma reportagem pro saudoso Jornal de Londrina (JL). Desta vez, entrei por baixo. E encontrei a mesma senhorinha, ainda mais divertida, mas com uma bengala companheira e umas poucas rugas a mais. Em plena atividade, aos 85 anos!

Trechos do aniversário dela de 80 anos:

“É um susto [a idade avançando] porque a gente fica cheia de limitações. Mesmo que eu queira fazer as coisas, tenho limitações: artrose, próteses em cada perna na cabeça do fêmur e uma paralisia na face”, explica. Mas, é como se não tivesse nada do que descreve. Com a bengalinha, anda igual um jatinho para lá e para cá. Pudera, faz ginástica todos os dias, sozinha mesmo, além da fisioterapia.

Walkyria, ao lado do seu piano (Fotos: Fábio Luporini)

De Curitiba, onde nasceu, Walkyria foi morar em São Sebastião da Amoreira, com o marido, médico. Da cidade pequena que quase não tinha energia elétrica, foram parar num edifício na Avenida Paulista, em São Paulo. E depois vieram para Londrina, onde tinham familiares do marido. Aqui fixaram residência e aqui a hoje Cidadã Honorária deixou marcas importantes para a cidade.

O Festival de Música de Londrina (FML) nasceu com ela: o maestro Norton Morozowicz ligou para ela de Curitiba dizendo que queria fazer um festival em Londrina. Ela acionou conhecidos e o maestro Othônio Benvenutto, da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (Osuel), que hoje mora em Tocantins, com 92 anos, topou na hora.

Dona Walkyria cantou muito tempo com o maestro Andrea Nuzzi, autor do Hino de Londrina. A hoje senhoria dirigiu também o Conservatório Musical de Londrina, além de ter atuado nos corais da UEL. Sem contar o sem-número de músicos que hoje estão pelo mundo e que passaram pelas aulas dela. E que ela faz questão de não dizer para não querer se vanglorias. Humildade em pessoa!

Aos 85 anos, mas com cabeça de 50, Walkyria passou por diversas cirurgias e está prestes a enfrentar novamente o bisturi, para a catarata do olho esquerdo. Até reprovar no teste de visão do Detran por causa desse incômodo, ela dirigia pela cidade toda. E vai renovar a carteira depois que melhorar. “Eu dirijo, vou ao banco, faço compras. Resolvo tudo. Sou o Uber da família. “A vida não é fácil. Educar cinco filhos. E os alunos, que são como filhos. Amo o que faço”, diz. Ainda hoje são 12 alunos por semana!

Alguns segredos: trabalhar o cérebro todo dia, toda semana. “Cada semana trabalho um lado. E toda segunda eu mudo. Trabalho o equilíbrio, desço as escadas de costas”, revela. Um ensinamento? “Ter tranquilidade, descobrir o perdão e o amor.”

Diante do livro de fotos do aniversário de 80 anos: cinco anos mais velha e em ótima forma

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