A vida não tem que ser perfeita, mas tem de ser apenas bonita

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A mensagem chegou com letras imperfeitas sobre cores bonitas.

Uma amiga psicanalista confidenciou: “passei a minha vida toda tentando consertar minhas imperfeições, anos de divã e, por fim, com meus 80 anos, percebi que meus defeitos eram somente minhas características”.

Quando uma criança diz “é bonito”, não está se referindo ao padrão estético de beleza perfeita, mas à bondade, à generosidade.

Quando uma criança diz “é bonito”, não está se referindo ao padrão estético de beleza perfeita

Freud, questionado sobre o que seria, então, um ser humano normal, respondeu: “um terço de ação, um terço de repressão e um terço de sublimação”. (Age em busca de seu bem estar, reprime as vontades que ferem a ética humana e desloca o prazer para as manifestações estéticas da vida).

A história da civilização pode ser compreendida sob dois movimentos que se intercalam: período apolíneo e período dionisíaco.

Apolo – a perfeição – o homem se vê como centro do universo. Frente ao fracasso diante da morte, angustia-se, surgindo Dionísio – a emoção.

Vivemos um momento histórico apolíneo, a ciência é acreditada como substituto do divino: período ufanista, desejo e busca de perfeição.

Há sinais de angústia que estão sendo anestesiados pelo álcool e pelas drogas.
A busca do poder máximo, à custa de qualquer preço (propina e violência), reflete o desejo insano de perpetuação, nega-se a impotência, a morte.

Nada disto “é bonito”, como dizem as crianças.

A vida terá que ser perfeita (e os corpos também).

A capacidade de se enternecer está diminuída.

Bondade, generosidade e ética irão para o museu das “quinquilharias”.

Colaboração: Anizio Henrique de Faria Junior

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