A felicidade não anda ao lado

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Colaborador: Pedro Sampaio Minassa tem 21 anos, estuda Direito na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e é aluno em mobilidade pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Para falar com ele, basta enviar e-mail para: pedrosampaiominassa@gmail.com.

Felicidade, o sentimento que mais revigora a alma do homem. É uma das filhas do amor, irmã da alegria e parente bem distante do sofrimento. Como é bom estar feliz, como ainda melhor é tentar ser feliz. A plenitude do ser transparece num sorriso de felicidade e desaparece numa lágrima de sofrimento. Às vezes, e talvez na maioria delas, a felicidade aparece atrelada a um estado pretérito de sofrimento. Embora distantes, os dois não deixam de ser parentes. Não convivem com muita frequência, pois não gostam de visitar o mesmo lar juntos.

Felicidade é um sentimento quente, que aquece o coração de quem sente. Quando se está feliz, o corpo fica dominado por terminações nervosas, que explodem como fogos de artifício internos, capazes de mover a maçã do rosto, fazendo-nos sorrir, rir ou até mesmo gargalhar.

Festejar a vida através da felicidade é como beber o melhor vinho naquela cidade. Felicidade é viver de bem com a vida, mas, sobretudo, estar com a vida no caminho do bem. Felicidade é andar devagar, olhando o invisível e ignorando o supérfluo batido. Felicidade é ser, estar, pensar, sorrir, falar, correr, brincar, e – por que não? – piscar! Todas as ações viram explosões, o mínimo vira máximo e o máximo transborda limites, atravessa fronteiras, vê que o mundo não tem borda, pois a borda é a corda que enforca a cabeça de quem pensa pequeno, de quem não pensa no pequeno, de quem é pequeno por não pensar e de quem, ao pensar, acha que é pequeno.

A felicidade é tudo e, ao mesmo tempo, é nada, porque passa, passa, passa como um furacão que traz a festa e depois deixa a desgraça. Sentir felicidade é, ao mesmo tempo, comemorar o sofrimento passado e esperar pelo próximo que certamente virá. O sofrimento até pode demorar, mas ele também vem, e vem, porque é pão que não falta na mesa de ninguém. Ninguém passa pela vida sem sofrer. O que há de bom em tudo isso? É que o sofrimento anuncia a felicidade, por isso, mesmo a dor pode ser administrada, afinal por detrás dela está lá, inquieta, a felicidade esperando entrar em cena.

A felicidade não anda ao lado, se enganam aqueles que a carregam na bolsa achando que ela não escapa. Ela não é companheira, é simplesmente passageira. A felicidade não anda, não vive ao lado, não vive no outro, não reside nas coisas, não mora, não tem vida própria, não é ser, não é vivo. A felicidade é vento que sopra, mas que incorpora na alma de alguém, entra e descansa um bocado, por vezes num esqueleto já muito cansado.

A felicidade não anda ao lado, ela anda em mim e em você, como um grilo sambista, que canta enquanto ainda não chega a sua hora de partir. Quando vai dando a hora, porém, se prepara, pula e vai. Acena, porque volta, mas dá espaço à cigarra que vem cantar o fado da dor, do sofrimento e da melancolia. E, assim, vamos sendo morada de grilos de felicidade e de cigarras de sofrimento, até chegar certo tempo em que o grilo deixará de vir e procurará outro alguém, deixando espaço para a cigarra em mim residir até explodir e não sobrar: nem eu, nem ela e nem ninguém.

2 COMENTÁRIOS

  1. oI Pedro,

    Amei o seu texto! Muito bom o seu conceito de felicidade.

    Pode continuar a nos mandar textos como estes. O Portal agradece!

    Abraços,

    Ana Marta

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